Tivemos o prazer de conhecer a prestigiosa entidade Associação dos Observadores de Aves de Pernambuco - OAP no ano de 1998.
A 29 de março de 2000, quando da passagem pelo Recife do consultor nipônico, a serviço do IBAMA, engenheiro florestal, Mitsuru Watanabe, buscamos aproximação com aquela associação.
Causou-nos surpresa a maneira como os membros da Associação OAP levavam seu empreendimento: sendo uma entidade privada, desprovida de qualquer suporte financeiro, tecnológico ou patrimonial essa equipe conseguia imprimir um cunho institucional ao seu desempenho.
Pudemos observar que a falta de sede própria e de funcionários para cuidar da parte administrativa, que necessariamente não teria que ser realizada pelos sócios e a informalidade que caracteriza a Associação, em nada obstaculiza o cumprimento dos compromissos firmados pela entidade em Pernambuco e em outros estados do Brasil.
A Associação OAP firmou parceria com a RPPN Maurício Dantas para fazer o levantamento da avifauna daquele núcleo de preservação ambiental, cujo projeto, sob coordenação científica de um biólogo, está em fase final de execução.
A ornitologia nacional muito ganharia se os organismos financiadores dessem cobertura a este projeto na RPPN Maurício Dantas, bem como os projetos que a OAP tem em processo de elaboração e execução.
Verificamos a seriedade com que a Associação OAP planeja e executa as tarefas de observação, registro minucioso e classificação sistemática do material coletado. Foi-nos grato testemunhar o "espírito esportivo" com que seus membros encararam os aspectos mais árduos da tarefa: longas caminhadas, subidas de serra, perigos nas noites dormidas na mata caatingueira. Testemunhamos o modo afetivo - quiçá amoroso - com que lidavam com os pássaros apreendidos e depois devolvidos ao seu habitat.
A capacidade de comunicação intergrupal foi atestada quando, numa de suas permanências na Reserva, conviveram com grupos de Santa Catarina, de Brasília, da Paraíba e de Pernambuco, com idades variando entre 3 e 92 anos de idade.
O entusiasmo com que se dedicam à missão que escolheram, como todo entusiasmo, é contagiante. É, no caso deles, um entusiasmo pedagógico, que comunicam conhecimento como forma de lazer.
É possível que um visitante da Reserva se depare com os pequenos meninos sertanejos nominando pássaros em latim...
Além do valor estritamente científico das pesquisas ornitológicas realizadas em zonas urbanas e rurais, à beira de estradas e em unidades de conservação protegidas, o trabalho da OAP tem alta relevância na criação de uma cultura, pedagogicamente intermediada, propícia à viabilização de desenvolvimento sustentável.

Fábio Lafaiete Dantas e Maria Leda de Resende Dantas
Proprietários da RPPN Reserva Ecológica Maurício Dantas
Recife 18 de julho de 2001


Sabemos que o "equilíbrio do planeta", significa continuidade da vida.
Vivemos numa era de globalização, o mundo a cada dia fica menor e a comunicação entre os povos se intensifica, facilitando a compreenção da necessidade de equilíbrio ambiental.
Quando vemos um grupo de pessoas, tendo a iniciativa de liberar uma ação em prol deste equilíbrio, faz com que percebamos a importância de termos uma consciência mais reflexiva, sobretudo sobre as aves, seres que prestam um serviço profundamente importante para a evolução do universo.
Sou eternamente grato aos amigos da OAP, por terem dado a mim e a minha filha Emília a oportunidade de conhecer o fantástico mundo da observação de aves.


Tércio Oliveira
Sítio Ecológico Imbaúba
Cabo de Santo Agostinho - PE
24 de Julho de 2001


Com a constante depedração do nosso Planeta Terra, não conseguimos ver um futuro feliz para nossos filhos. Geração essa, que se não houver pessoas como a OAP interessadas em fazer com que se multipliquem as chances de que nosso Planeta fique vivo para que possamos compartilhar um abençoado canto de uma ave e suas cores maravilhosas, a vida se extinguirá.
É por isso que dou meu total apoio a essa entidade que não só observa aves, mas faz um futuro melhor para toda uma nação.
Agradeço por eles existirem, e que eles consigam transmitir toda essa informação que é importantíssima para todos nós.

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Pesquisar e ajudar na preservação das aves tem sido uma verdadeira obstinação da OAP.
Extremamente dedicados e organizados o grupo não passa só de simples observadores mas, grandes pesquisadores que mesmo com as dificuldades que enfrentam por falta de investimentos e recursos não desistem em tentar conscientizar a importância das aves para o mundo.
Se já não bastasse todos os avisos e protestos de cientistas e pesquisadores alertando para a falência da fauna e flora em nosso planeta, a mão pesada e devastadora do homem continua destruindo tudo o que a natureza levou anos de evolução para fazer, comprometendo com esse ato o difícil e lento trabalho de preservação das aves.
Com educação ambiental e o contínuo trabalho desses apaixonados pesquisadores pelas aves. Bons tempos poderão chegar e com eles a realização de uma vida interia de dedicação mas, até lá continuem em frente e não esqueçam de ensinar as aves às sábias palavras do poeta Chico Buarque: "bico calado toma cuidado que o homem vem aí".

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A refinada arte de observar as aves no Brasil é uma novidade entre nós. Uma feliz novidade. Aos poucos, as pessoas por aqui estão começando a perceber que é possível ter interesse por aves e fazer algo diferente. Diferente do nosso senso comum que impedia de ver as coisas realmente preciosas. Preciosas como gostar de aves, mas gostar também de vê-las em seu ambiente natural. Seja lá qual for esse ambiente, esse tal lugar. Perto ou longe, esse ambiente agora ganhou um novo e real sentido. Ele é importante, ele é vital para as aves e, porque não dizer, para nós. Ir ao encontro delas, passou a fazer sentido, outro e novo sentido. Queremos agora que elas estejam lá e que permaneçam lá por muito tempo. O mundo fica mais rico, colorido e infinitamente interessante depois que passamos a usar binóculos e a enxergar as aves e o mundo por eles !
Ficará óbvio depois dessa verdadeira declaração de princípios o meu envolvimento sentimental com a atividade de observar aves. Isto é verdadeiro. Há um componente lúdico na observação científica das aves que somente precisa ser abandonado se o pesquisador assim desejar. Eu jamais desejei isso.
Tenho motivos especiais para apreciar o convite de apresentar esta terceira produção dos Observadores de Aves de Pernambuco voltada para a compilação estadual da avifauna. Embora, seja um amante confesso da atividade de observar aves, sou também um pesquisador preocupado com o rigor das informações obtidas no campo. A identificação e a interpretação correta do que se observa é fundamental quando se pretende divulgar os dados. Essa preocupação dos autores está no formato e no conteúdo destes Registros Ornitológicos de Pernambuco . A menção individualizada das fontes de consulta para cada um dos registros de espécies representa um avanço significativo desta publicação em relação às duas iniciativas precedentes do grupo.
Sou da opinião que é preciso valorizar o registro, o significado do registro em toda a sua extensão. É preciso conceber que uma boa lista é aquela que traduza melhor a realidade. Se para torná-la mais fiel à realidade é preciso diminuí-la, que se faça isso. É sempre melhor reunir poucos mas bons registros do que reunir numerosos mas equivocados registros ! Isso vale para uma área pequenina qualquer, uma unidade de conservação, uma cidade, um estado ou, mesmo, todo um país. Fazer novos e consistentes registros, mas questionar permanentemente os registros existentes é a melhor maneira de melhorar as listas, de torná-las mais próximas da realidade. A OAP está no caminho certo e isto é digno de celebração. Que o bom exemplo de Pernambuco sirva de incentivo para a execução de trabalhos semelhantes em outros estados. Meus parabéns a todos que participaram desta empreitada.

JOSÉ FERNANDO PACHECO
Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2002

 
     
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