Nomes Populares:

Ao designar uma ave, o povo procura relacioná-la, p. ex. com o colorido, a forma do bico, a alimentação, o modo de caçar, manifestações sonoras, vários hábitos, nidificação, relação ao tempo, ocupações humanas e lendas. Nomes onomatopéicos parecem estranho à maioria, que não conhece as respectivas manifestações sonoras. Tais nomes estão constituídos freqüentemente de frases como: “tem-cahaça-aí” ou “gente-de-fora-vem” (ambos para o Pitiguari Cyclarhis gujanensis) entre outros exemplos.

Nestes nomes está a alma do povo, os nomes fazem parte da cultura. Um nome popular antigo, arraigado, passa de pai para filho, não muda nunca.

(SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997)

Nomes Científicos:

A nomenclatura científica é um processo universal em todos os países para denominar animais, plantas e demais seres vivos cientificamente. Os nomes são escritos em latim e compostos por dois nomes, p. ex., Paroaria dominicana para o que conhecemos como Galo-de-campina.

Cada país tem seus próprios nomes populares para as suas aves, o que pode causar grande confusão. Por exemplo, o nosso pardal, nos Estados Unidos é English sparrow, na Inglaterra House sparrow, na França Moineau domestique, na Itália Passera oltramontana, na Alemanha Houssperling, na Holanda Musch, na Dinamarca e Noruega Graaspurv e na Suécia Hussparf. Para complicar, muitas vezes, dentro de um país a mesma espécie de ave tem vários nomes populares. (STORER, T. I. et al. Zoologia Geral. São Paulo: Editora Nacional, 1989). Por isso, é muito importante que se aprendam os nomes científicos, principalmente os seus significados, como veremos nos exemplos abaixo.

ALMA-DE-GATO
Segundo Eurico Santos em seu livro Da ema ao beija-flor, essa ave “quando percebe que lhe testemunham as cabriolas, abre ainda mais seus olhos de brasa, empina o topete, toma um ar pimpão de deusa revoltada, solta um trecho de notas musicais e abala em vôo rápido.”  Em Pernambuco, em algumas regiões, é conhecida como rabo-de-palha.
Piaya cayana
Piaya = [nome aborígene?]
cayana = nativa de Caiena (Guiana Francesa)

   

AMASSA-BARRO
Seu nome provém do hábito de confeccionar ninhos de barro. Segundo uma lenda, quando o macho é traído, fecha a fêmea dentro do ninho, com barro, deixando-a morrer. Em seguida voa alto, fecha as asas e mergulha contra o chão, em um vôo suicida. Atribui-se a essa ave a capacidade de prever o ano chuvoso, pela orientação da entrada do seu ninho.
Furnarius leucopus
Furnarius = padeiro (do latim, furnaria. Refere-se ao ninho, como um forno de padeiro)
leucopus = pés alvos (do grego, leukopous)

   

ANDORINHA-DO-RIO
Segundo uma história popular, caso se atire em uma andorinha, a espingarda perde a mira.
Tachycineta albiventer
Tachycineta = que se movimenta rapidamente (do grego, takhukinetos)
albiventer = ventre branco (do latim, albus e ventris)

   

ANU-PRETO
Sua carne teria propriedades curativas para doenças venéreas. Há quem coma a carne do anum para abrir o apetite, apesar do odor desagradável.
Crotophaga ani
Crotophaga = comedor de carrapatos (do grego, kroton e phagos)
ani = anum (do tupi brasileiro, anim ou anum, usado para designar as aves desta família)

   

BEIJA-FLOR-RABO-DE-TESOURA
Teria este nome devido a sua cauda assemelhar-se a uma tesoura que abre e fecha. Em Correntes/PE, acredita-se que o beija-flor traz sorte quando é avistado no jardim. No Ceará, meninos caçadores de aves comem o coração do beija-flor, acreditando não errar mais alvos.
Eupetomena macroura
Eupetomena = bom voador (do grego, eu e petomenos)
macroura = cauda longa (do grego, makros e ouros)

   

BEM-TE-VI
Vendedores de flores afirmam que a ave caçoa deles quando as vendas são fracas, dizendo: “tá tudo fudido!”. Em Icapuí, no Ceará, parece dizer “triste vida!”, humilhando a vida laboriosa dos pescadores.
Pitangus sulphuratus
Pitangus = bem-te-vi (do tupi brasileiro, pitanga)
sulphuratus = sulfúreo (do latim, sulphuratus, referindo-se a com amarela).

   

CANCÃO
Traria a cura da asma, quando criado em cativeiro, atraindo a doença para si (Gravatá/PE).
Cyanocorax cyanopogon
Cyanocorax
= corvo azul escuro (do grego, kuanos e korax)
cyanopogon = barba azul escuro ( do grego, kuanos e pogon)

   

CHOCA-LISTRADA
Sua vocalização parece dizer "choc, choc, choc...". Aves deste gênero tem vocalização semelhante, recebendo nomes como: Choró, Chochoca, Corrochó e Chorró, podendo receber um nome complementar, designando outra característica, como: Chochoca-balançadeira-de-rabo.
Thamnophilus palliatus
Thamnophilus = afeito aos arbustos (do grego, thamnos e philos)
palliatus = com um manto (do latim, palliatus).

   

DORMINHOCO

Seu nome refere-se ao comportamento de permanecer parado, mesmo quando observado de perto. No Ceará é conhecido como: Cololô, Fura-barreira e Bico-de-latão, referindo-se a sua vocalização, nidificação e cor do bico respectivamente.
Nystalus maculatus
Nystalus = sonolento (do grego, nustalus. Refere-se ao comportamento quieto)
maculatus = com pintas (do latim, maculatus)

   

ENCONTRO-DE-OURO
Essa ave possui uma região da asa, conhecida como encontro, que nela tem a cor amarela como o ouro.
Icterus cayanensis
Icterus = pásaro amarelo (do grego, ikteros)
cayanensis = nativa de Caiena (Guiana Francesa)

   

GALO-DE-CAMPINA
Seu canto pode ser interpretado como se dissesse: "mulher é cão / mulher é cão / por causa de mulher lascaram minha cabeça / olha o sangue / olha o sangue" ou ainda: "zé? / que é? / choveu? / choveu / vamos comer milho? / cuidado, que o dono é brabo!".
Paroaria dominicana
Paroaria = pássaro com vermelho no colorido (do tupi brasileiro, paroara)
dominicana = dominicano (em relação ao hábito alvinegro
vestido por eles na inquisição).

   

LAVANDEIRA
Seu nome é uma variação de "lavadeira", uma alusão ao seu hábito associado a ambientes aquáticos. É protegida, inclusive por caçadores de pássaros, pois lhe é atribuída a lavagem das roupas do menino Jesus. Noutros lugares teria sido a roupa de Nossa-senhora.
Fluvicola nengeta
Fluvicola = habitante dos rios (do latim, fluvius ou fluvii e cola)
nengeta = sibite (do tupi brasileiro, nheengeta. Nome para qualquer pássaro pequeno).

   

MARRECA-IRERÊ
Seu nome provém da onomatopéia do canto. Também conhecida como Viuvinha devido a cor de sua plumagem.
Dendrocygna viduata
Dendrocygna = cisne das árvores (do grego, dendron e Cygnus)
viduata = enviuvada (do latim, viduata. Refere-se às cores)

   

PINTOR-VERDADEIRO
Seu nome está associado a quantidade de cores de sua plumagem.
Tangara fastuosa
Tangara = pássaro multicolorido (do tupi brasileiro, tangara)
fastuosa = altivo (do latim, fastuosus).

   

SAÍRA-BEIJA-FLOR
Não apresenta parentesco com beija-flores, porém costuma alimentar-se de néctar.
Cyanerpes cyaneus
Cyanerpes = rasteiro azul escuro (do grego, kuaneos e herpes)
cyaneus = azul escuro (do latim, cyaneus)

   

SOCÓ
Cantado em verso popular: "O socó estava na lagoa / socá, socá / esperando um socó pra se coçá / neste dia a festa não foi boa / socá, socá / prá sete socó coçá / é um socó só, pra sete socó coçá". No Ceará, pessoas de pescoço de tamanho reduzido recebem o apelido "pescoço de socó".
Butorides striatus
Butorides = semelhante a uma garçota (do latim medieval, butor e do grego, ides)
striatus = listrado (do latim moderno, striatus)

   

URUBU-DE-CABEÇA-AMARELA
Chá de urubu teria efeito recalcificador.
Cathartes burrovianus
Cathartes = limpador (do grego, kathartes)
burrovianus = de Burrough (um doutor M. burrough, nascido em 1839).

   

BICO-DE-AGULHA
Seu nome vulgar se deve ao tamanho bastante longo do bico. No Ceará, é conhecido como Fura-barreira devido ao hábito de construir seu ninho em buracos escavados nas encostas.
Galbula ruficauda
Galbula = pequena ave amarela (do latim, galbula)
ruficauda = cauda vermelha (do latim, rufus e cauda)

 
     
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