Birdwatching ganha adeptos em Pernambuco
Jornal Universitário – O BERRO
Recife, novembro de 2003
Por Blânia Leuchtemberg
Acordar de madrugada, entrar em matas fechadas e passar o dia à espera de aves. Tudo com a intenção única de observar os vôos, admirar as cores e registrar detalhes das diversas aves brasileiras. Para alguns, pode parecer perda de tempo, mas a observação de aves ou birdwatching, como é chamada nos países de língua Inglesa, é uma atividade que está conquistando cada vez mais adeptos no Brasil.
O interesse pelos hábitos dos animais silvestres cresceu tanto no país que vários grupos, em diversos estados, começaram a praticar a atividade. Em 1986, o guia de turismo Manoel Toscano e o técnico em ecoturismo Gustavo Pacheco criaram a Associação dos Observadores de Aves de Pernambuco (OAP).
Segundo Pacheco, o objetivo do grupo é “estudar,conhecer e catalogar a avifauna existente na região nordeste”, explica.
Para estimular essa atividade, a OAP se associou à Mangaio Ateliê de turismo, única agência do Recife que oferece pacotes para os interessados em turismo de observação de aves. “A prática é mais apreciada por biólogos e ornitólogos, mas também curiosos interessados no assunto”, diz a dona da agência, Beth Guedes.
O aposentado Flávio Pessoa, 56, é um curioso apaixonado por pássaros. Há três anos ele procura a Mangaio e garante que para quem entra nesse hobby é difícil sair. “As aves não estão só sobre nossas cabeças, elas estão nos livros, nas canções, nos poemas e no folclore”, ressalta.
Os locais de visitação incluem desde unidades de conservação à propriedades particulares, em áreas litorâneas e rurais, agreste e sertão.
As áreas são indicadas por técnicos da Associação OAP, que fazem uma análise prévia quanto à diversidade de aves na região e a infra-estrutura local. Beth Guedes lembra que os grupos para a visitação não ultrapassam doze pessoas, que estão sempre acompanhadas de guias especializados da Associação OAP.