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Ainda há aves nativas nas praças
Jornal do Commercio
Ciência e Meio Ambiente
Recife, Sexta-feira, 09 de dezembro de 1994
Ornitologia: Aves nativas habitam praças do Grande Recife. Estudo realizado pela OAP catalogou 35 espécies em 13 praças da Região Metropolitana do Recife
Aves nativas continuam a habitar as praças da Região Metropolitana do Recife e não foram afugentadas, como se acredita, pelos pardais (pássaro exótico) de origem asiática). Este é o resultado de um estudo realizado pela Associação dos Observadores de Aves de Pernambuco - OAP. Durante cinco meses, eles fizeram observações em 13 praças do Grande Recife e catalogaram 35 diferentes espécies de aves, inclusive o pica-pau-anão (Picumnus exilis), no Sítio da Trindade, e a choca-da-mata (Thamnophilus caerulescens), também conhecida como espanta raposa.
O Presidente da OAP, Manoel Toscano de Britto disse que a pouca quantidade de espécies é superada pelo grande número de pássaros concentrados nas praças.
Um exemplo é a população de sanhaçus encontrada na Praça Maciel Pinheiro e de canários-da-terra no Parque da Jaqueira e no Sítio da Trindade.
Britto explica que não são os pardais que expulsam as aves nativas. É o crescimento das cidades que impossibilita à permanência destes pássaros. "Com a destruição dos ecossistemas naturais, as aves nativas, que não se adaptam às condições urbanas, emigram. Não é o pardal que afugenta os pássaros e sim o homem", informa.
Britto adianta que os pardais sobrevivem com mais facilidade nas cidades porque são aves urbanas. "Eles fazem seus ninhos em qualquer lugar e tem facilidade de alimentação por serem onívoros ( comem de tudo). Daí ocorrerem em maior abundância", explica.
O pardal (Passer domesticus) é a terceira espécie de ave mais abundante no mundo, só perdendo para a galinha doméstica e o estorninho.
O Presidente da OAP ressalta, entretanto, que nos locais onde o verde foi preservado ainda encontram-se aves nativas. É o caso das praças, que se tornam reduto destas espécies. "As aves são atraídas para locais com árvores onde possam fazer seus ninhos, tenham alimentação fácil e pouso para dormir", informa.
Segundo o estudo da OAP, as aves predominantes nas praças estudadas são os bem-te-vis (Pitangus sulphuratus), lavandeiras (Fluvicola nengeta) e sebito (Coereba flaveola).
Cada praça tem cerca de 15 espécies diferentes. Os Observadores da OAP também fizeram anotações sobre o comportamento dos pássaros nas praças. |
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