| |
Comércio de aves se mantém por falhas na fiscalização
Jornal do Commercio
Ciência e Meio Ambiente
Recife, Segunda-feira,17 de janeiro de 1994
Um ano de investigação foi suficiente para que o grupo dos Observadores de Aves de Pernambuco concluísse que são improdutivos os trabalhos de repressão ao comércio ilegal de aves silvestres desenvolvidos pelo Ibama e pela Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente ( CIPOMA). Os membros do grupo se infiltraram nas feiras de animais e descobriram como os feirantes conseguem driblar a fiscalização e manter lucrativo seu negócio.
"É após a passagem dos fiscais que a feira realmente funciona", assegura o presidente do grupo, Manoel Toscano de Brito, que se disfarçou de comprador para obter informações. Segundo ele, para enganar os fiscais, os comerciantes usam muitos artifícios.
"Um deles é deixar que os fiscais apreendam os animais doentes e sem valor, dando a idéia de que não há mais nada para ser vendido", diz.
"Tem vendedores que, ao serem surpreendidos pelos fiscais, abandonam suas gaiolas pelo chão, alegando que estavam ali para comprar e não para vender", conta Gustavo Pacheco, membro do grupo. Segundo ele, os comerciantes costumam ainda esconder as aves preciosas em locais próximos à feira, para não deixá-las expostas aos fiscais. "Então, quando aparece um possível comprador, eles oferecem as aves, indo buscá-las em seguida".
Os Observadores de Aves revelaram também que na feira de animais da Madalena, por exemplo, há conivência dos comerciantes do Mercado da Madalena com o comércio ilegal de aves. "Muitos vendedores de aves escondem suas gaiolas nos boxes do mercado para protegê-las dos fiscais", diz Pacheco.
Toscano disse que o grupo apresentou o resultado do trabalho ao Ibama e à Cipoma, com o objetivo de tentar ajudar no combate ao comércio ilegal. Ele explicou que, desde 1992, os Observadores de Aves colhem informações nas feiras de Jaboatão, Madalena, Gravatá, Cavaleiro, Abreu e Lima, Casa Amarela, Paratibe, Peixinhos e Beberibe. "Os preços variam de CR$ 2 mil a valores superiores a CR$ 50 mil, se a ave for rara, como o pintor-verdadeiro", revela Toscano.
|
|