Dia da Ave comemorado hoje no Memorial

Jornal do Commercio
Ciência e Meio Ambiente
Recife, Sexta-feira, 05 de outubro de 1997

      O Dia 05 de outubro foi instituído como Dia da Ave pelo decreto federal 63.234, de 12/09/68, assinado pelo então presidente Artur da Costa e Silva. Para comemorar esta data, o Espaço Ciência, localizado no Parque Memorial Arcoverde, em Olinda, e os Observadores de Aves de Pernambuco -OAP prepararam uma programação especial para este Domingo. Das 9h às 17h, os visitantes vão poder conferir a exposição de aves e ninhos de várias espécies e ver fotos de aves nativas e exóticas. Os participantes também poderão assistir a vídeos sobre o tema. Integrantes da OAP vão distribuir binóculos para o público e ajudá-lo na observação das aves existentes no local.
      Também estará exposta no local a lista preliminar das aves que ocorrem nas redondezas do Espaço Ciência. A lista é resultado das observações feitas pelos observadores de aves na área, em agosto e setembro. Instrutores estarão ensinando a usar apitos de arremedo para chamar a atenção dos pássaros.
As pessoas com sobrenome de aves como Pinto, Falcão e Pavão, que apresentarem a melhor pesquisa sobre esses animais (origem, hábitos alimentares, distribuição geográfica...) ganharão um prémio de R$ 100,00.

Fácil adaptação dos pardais ao meio urbano garante sobrevivência

      Sobreviventes dos avanços urbanos, os pardais (Passer domesticus) são considerados praga e tem fama de vilão. As pessoas que durante muito tempo puderam contemplar um grande número de pássaros nos parques e jardins da cidade acreditam que os pardais são responsáveis pelo desaparecimento de aves nativas, como a rolinha (Columbina talpacoti), o anu-preto (Crotophaga major) e o sericóia-mirim (Laterallus viridis).
      Segundo o ornitólogo Manoel Toscano, do grupo Observadores de Aves de Pernambuco - OAP, os pardais são aves de fácil adaptação urbana. Isso os difere das espécies nativas que não sobreviveram à destruição de áreas verdes e a construção de prédios, e se deslocaram para áreas mais adequadas com o objetivo de garantir sua sobrevivência.
      " Na década de 70 eram encontradas cerca de 20 espécies de aves nas áreas verdes da cidade. Nas observações feitas pelos membros da OAP, percebemos que as pessoas costumam jogar no pardal a culpa pelo desaparecimento das outras espécies", explica. A adaptação dos pardais aos espaços urbanos é explicada por vários fatores. Onívoros, os pardais comem de tudo, frutas, insetos, lixo, grãos e até mesmo restos de comida. De acordo com Toscano, a lavandeira (Fluvicola nengeta) é outra espécie de ave que está se adaptando ao crescimento urbano. "Embora sejam insetívoras, já vi lavandeiras comendo restos de comida na Estação Recife", diz.
      Diferentemente dos canários (Sicalis luteola), que costumam fazer ninho em árvores ocas, os pardais fazem ninhos em sinais de trânsito, brechas de telhados das casas e dos edifícios mais baixos. Esta ave se reproduz até três vezes por ano e a fêmea põe três ovos por cada ninhada. A maioria das aves se reproduz duas vezes por ano e tem a média de dois ovos por ninho. Disto resulta que o pardal é a terceira ave mais popular do mundo e só perde posições para a galinha doméstica e o estorninho.
      A introdução de pardais no Brasil é explicada por várias histórias. A versão aceita pelo ornitólogo diz que essas aves originárias do Oriente Médio, chegaram ao país em 1906, por intermédio de Antônio Ribeiro, que trouxe da cidade de Leca da Palmeira, Portugal, 200 exemplares para serem soltas no Campo de Santana, no Rio de Janeiro. Em outra versão a introdução é atribuída a um negociante português morador do Rio Grande do Sul, a pedido do governador do estado e de sua esposa.
      Embora não se saiba ao certo como os pardais chegaram ao Recife, conta-se que eles foram introduzidos na cidade com o objetivo de exterminar os insetos lacerdinha, que povoavam o Parque 13 de Maio, no centro. O lacerdinha causa forte ardência em contato com a pele.