Feiras são território livre para vender aves
Jornal do Commercio
Recife, 5 de maio de 2005 - Quinta-feira
Ciência / Meio Ambiente
CRIME: Muitos pássaros vendidos nas feiras do Grande Recife estão ameaçados de extinção.
Levantamento realizado por organização não-governamental (ONG ) mostra que 20,8% das espécies de aves registradas em Pernambuco são comercializadas nas feiras do Grande Recife, com preços que variam de R$ 1 a R$ 100. O estudo, feito em 10 feiras livres, revelou ainda que cinco delas são ameaçadas de extinção.
A pesquisa, iniciada em 2000, foi concluída este ano e resultou da visita a dez feiras: Cavaleiro, Abreu e Lima, Casa Amarela, Paratibe, Peixinhos, Beberibe, Madalena, Engenho do Meio, Cordeiro e Prazeres. "Temos no Estado 500 espécies, das quais 104 são vendidas em feiras", explica Glauco Pereira, da Associação dos Observadores de Aves de Pernambuco (OAP).
Glauco e outro ornitólogo da OAP - Manoel Toscano de Britto - verificaram que, das 104 espécies de aves observadas nas feiras, nove são endêmicas, ou seja, exclusivas, do Brasil. São elas jandaia-gangarra, cancão, pintor-verdadeiro, sangue-de-boi, patativa, galo-de-campina e anumará.
Os dois constataram ainda que a feira da Madalena já não lidera a comercialização de aves. Agora é a do Cordeiro onde mais se encontram pássaros. "Num Domingo contamos 550 aves de 40 espécies", alerta Glauco. O mais comum em todas as feiras é o galo-de-campina, seguido da patativa e do papa-capim.
A Lei de Crimes Ambientais (9.605/98) proíbe a comercialização de animais silvestres sem autorização do Ibama. A pena prevista é de seis meses a um ano de prisão, acrescida de metade caso se trate de espécies ameaçadas. A multa é de R$ 500 para cada ave. Quando as espécies correm risco de extinção, o valor varia de R$ 3 mil a R$ 5 mil, conforme o grau de ameaça.
Nas feiras do Grande Recife, as espécies que correm risco de desaparecer são o pintor-verdadeiro, pintor-mirim, anumará, ferreiro-de-barbela e pintassilgo. O gerente do Ibama em Pernambuco, João Arnaldo Novaes, garante que as feiras são visitadas pelos fiscais regularmente. "Mas ainda não é o suficiente", admite. O advogado alega que o instituto dispõe de apenas 25 fiscais para cobrir o Estado.