Flora urbana atrai poucas aves
Jornal do Commercio
Cidades - Recife, 19 de março de 2005
Ornitologia – Pesquisa revela que árvores de praças e jardins do Recife oferecem poucos frutos para alimentar os pássaros que freqüentam as áreas
Se dependessem da arborização urbana do Recife, as aves que freqüentam as praças e jardins da cidade passariam fome. Pesquisa realizada por ornitólogos da organização não- governamental Observadores de Aves de Pernambuco (OAP) revela que apenas 172 das 8.086 mudas plantadas pela prefeitura no ano passado fornecem frutos comestíveis para pássaros e jandaias.
“De 60 espécies de árvores e arbustos, 11 tiveram frutos atraentes para as aves, ou seja, apenas 2,12% do total”, revela um dos autores do estudo, o ornitólogo Glauco Pereira.
Glauco sugere que a prefeitura do Recife leve em conta as aves na hora de escolher as espécies empregadas na arborização urbana. “As aves são responsáveis pelo controle de pragas urbanas, polinização e dispersão de sementes. Sem contar da exuberância das cores que possuem, embelezando o centro urbano com suas cores e também com seus melodiosos cantos”, justifica.
O estudo revelou ainda que apenas 13 espécies de aves (Pernambuco conta com quase 500) visitaram as novas plantas dos parques e jardins com intuito de obter alimento. Entre elas, a de maior plasticidade é a jandaia-verdadeira (Aratinga jandaya). “É ela que visita mais tipos diferentes de vegetais.” Já a espécie mais plantada foi a palmeira-imperial.
Para a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), o principal critério da arborização é o bem-estar do ser humano. ‘Alguns dos critérios de escolha das espécies de plantas são se oferecem sombra e se têm condições de se desenvolver no local”, explica o presidente da Emlurb, Roberto Gusmão. “A ave entra como um elemento de integração entre o homem e meio ambiente, não como o componente principal”.