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Aves migram para área urbana
Jornal do Commercio
Ciência e Meio Ambiente
Recife, Sexta-feira, 01 de Outubro de 1999
Espécies de aves comuns em municípios do interior ou em áreas periféricas do Recife estão migrando para o centro da cidade e se alimentando de restos de comida deixados pela população. O pássaro conhecido como "rabo-mole" (Polioptila plumbea), típico de Gravatá, e o "maria-já-é-dia" (Elaenia flavogaster), que habita os bairros de Prazeres e Curado, são alguns exemplos. Nos últimos cinco anos, os ornitólogos Manuel Toscano e Gustavo Pacheco, do grupo de Observadores de Aves de Pernambuco (OAP), verificaram essas e outras espécies se alimentando de sobras de coxinhas e empadas na Estação Central do Metrô e de refeições deixadas pelos comerciantes no Camelódromo.
Os ornitólogos constataram também que pássaros como o ferreirinho (Certhiaxis cinnamomea) e o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) estão optando pelos postes de iluminação para construir seus ninhos, devido ao desmatamento das árvores. "Estão usando objetos como clips, pedaços de fitas e plantas artificiais, ao invés de gravetos, para compor seus ninhos".
A principal causa apontada pelos ornitólogos para o comportamento dos pássaros é a falta de alimentos em seus lugares de origem. "Sem ter o que comer, a saída para as aves é buscar outros locais onde seja mais fácil se alimentar", destaca Manuel, que compara o Recife com Cuiabá. "Lá, onde há um cinturão verde bem preservado ao redor da cidade, os pássaros não precisam sair para buscar comida".
O próximo passo será observar quais serão as consequências desse tipo de alimentação para as aves. "Vamos pesquisar em que isso pode acarretar para a sobrevivência das espécies, já que a maioria come insetos", diz Gustavo. "Futuramente poderá haver um desequilíbrio ambiental, pois alguns grupos viverão em lugares com características diferentes das de origem". |
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