Paulista ainda tem aves raras e em extinção

Jornal do Commercio
Ciência e Meio Ambiente
Recife, Sexta-feira, 03 de janeiro de 1997

Ornitologia - OAP catalogou aves do município

      Aves ameaçadas de extinção, como o pintor-verdadeiro (Tangara fastuosa) e raras, a exemplo do curió (Oryzoborus angolensis), integram a lista de 173 espécies que ocorrem no município de Paulista, no norte da Região Metropolitana do Recife, de acordo com levantamento realizado nos últimos dez anos pelo clube Observadores de Aves de Pernambuco - OAP.
      A avifauna de Paulista, que começou a ser observada pelo grupo em agosto de 1986, corresponde a 36% do total registrado em Pernambuco. Munidos de binóculos, câmaras fotográficas, gravadores e cadernetas de anotações, os ornitólogos visitaram 26 áreas do município, cobrindo 80% de sua área total. Foram percorridos praias, manguezais, banhados e campos abertos.
      Em todos estes ecossistemas os integrantes do OAP identificaram impactos ambientais que estão ameaçando a permanência destas aves, a exemplo de lixo, aterros dos manguezais, ocupações desordenadas e queimadas. "Estas interferências do homem prejudicam o habitat das aves", diz o presidente da OAP, Manoel Toscano de Britto, o Badu".
      O lixo, na opinião dos ornitólogos, é o principal impacto. De acordo com a avaliação da OAP, de todas as praias visitadas pelo grupo para o levantamento de aves em Pernambuco, que totalizou a ocorrência de 480 espécies, as de Paulista ( Janga, Pau Amarelo e Maria Farinha ) são as mais sujas.

DIVERSIDADE - O observador de aves diz que é possível conhecer se um ambiente é preservado por meio das identificações das espécies ocorrentes. O martim-pescador, por exemplo, é um bioindicador dos banhados. " Ele é uma ave bastante exigente e não ocorre em ambientes degradados", explica o coordenador da OAP Gustavo Pacheco.
      A diversidade da avifauna em Paulista foi um dos motivos que levou a OAP a transferir há três anos sua sede para o município.