Pássaros voltam a habitar praças do Recife

Jornal do Commercio
Ciência e Meio Ambiente
Recife, Sexta-feira, 24 de dezembro de 1999


ESTUDO: Ornitólogos do Clube de Observadores de Aves de Pernambuco fazem o monitoramento de locais como os parques 13 de Maio e da Jaqueira

A quantidade de pássaros que freqüentam as praças do Recife aumentou nos últimos seis anos. Estudo comparativo realizado pelo Clube de Observadores de Aves de Pernambuco (OAP) mostra que este ano há mais espécies nas praças da República, de Casa Forte, 13 de Maio, Jaqueira e Joaquim Nabuco do que as existentes em 1993.
O resultado do estudo surpreendeu os integrantes do OAP. "Normalmente este tipo de trabalho aponta para um declínio e não aumento da quantidade de espécies", esclarece Manoel Toscano de Brito, um dos coordenadores do clube.
O ornitólogo acredita que o aumento de pássaros nas praças é provocado pela degradação das áreas de conservação existentes no Recife e seu entorno. "Por incrível que pareça, as praças estão mais preservadas do que os remanescentes de floresta", constata Toscano de Brito.
Sua tese tem origem em um estudo semelhante realizado, ano passado pelo OAP em Cuibá, no Mato Grosso. Lá, os ornitólogos encontraram pouca quantidade de pássaros nas praças. O número de espécies e indivíduos, entretanto, era superior em rios, lagos, sítios, reservas e nas áreas verdes da periferia da cidade.
"Nestes locais as aves são abrigadas por um cinturão verde que supre suas necessidades de alimentação, reprodução, nidificação e repouso", avalia o coordenador da OAP. No Recife, a chamada avifauna está se adaptando como pode à região urbana. Para Toscano de Brito, isso aumenta a responsabilidade pública com a conservação das praças.
O primeiro levantamento foi realizado em agosto de 1993, indicando a existência de 12 à 20 espécies de aves nas cinco praças. Na observação deste ano, esse número variou de 21 à 28. As espécies encontradas, de acordo com o OAP, são originárias litoral, mata atlântica e agreste, a exemplo de lavandeiras e sabiás.
Em Cuibá, entretanto, as aves observadas nas praças não eram nativas do cerrado, pantanal e floresta amazônica, ecossistemas naturais da região. "Vimos pardais, pombos domésticos, bem-te-vis e sanhaços", conta Toscano de Brito. Segundo ele, a grande maioria de aves nativas estava no entorno da cidade.
Para identificar as espécies, os ornitólogos utilizam binóculos e também escutam o canto dos pássaros. Tudo é anotado em uma caderneta. Eles também fazem uso de livros com chaves de classificação das aves.